terça-feira, 17 de março de 2009

Entretenimento: valor-notícia fundamental

Leonel Azevedo de Aguiar

Se o jornalismo que hoje conhecemos apresenta como característica o paradigma do jornal de informação, qual o problema político em produzir um noticiário que desperte o interesse do leitor e ainda possa entretê-lo?
Estudos em Jornalismo e Mídia Ano V - n. 1 pp. 13 - 23 jan./ jun. 2008

A capacidade de entretenimento constitui-se como um valor-notícia fundamentalpara que um acontecimento possa adquiriros requisitos necessários para ser construídoenquanto narrativa jornalística. Valores-notícia são qualidades dos acontecimentosque produzem as condições de possibilidadespara que sejam transformadose contidos em um produto informativo. Notícia,nesse sentido, é entendida como produtoindustrial resultante de um processoempresarial organizado que implica emuma perspectiva prática dos acontecimentos,“perspectiva essa que tem por objetivoreuni-los, fornecer avaliações simples ediretas acerca das suas relações e fazê-lode modo a entreter os leitores” (Altheide,1976: 112).
Autores brasileiros que contribuíram comobras pioneiras sobre o jornalismo tambémdestacam a importância do fator “entretenimento”no processo de produção da notícia.
Com sua visão funcionalista da imprensa, Luiz Amaral descreve quatro funções daimprensa: política, econômico-social, educativae de entretenimento. Ao ressaltarque uma das características da sociedadeindustrial foi a invenção de um tempo livredestinado ao lazer, afirma que grandeparte do público considera a leitura dos jornaiscomo uma atividade de prazer. “O entretenimentoé uma função psicossocial daimprensa” (Amaral, 1987: 24). Na fase pósindustrial,acrescenta, as horas dedicadasao lazer tendem a aumentar ainda mais.
Os momentos escolhidos para ler os jornaissão os intervalos de repouso: o descanso quesegue o almoço, a espera do jantar ou a horade dormir; a leitura dos jornais é a distraçãoconscientemente procurada durante ostempos “mortos”, nos transportes, nas salasde espera, nos dias de feriados, quando chove(Amaral, 1987: 21).Considerar a notícia um produto industrialdisponível para ser vendido no mercado,implica ressaltar a existência de umahierarquia de interesses previsíveis paraa edição do material jornalístico, dentre osquais um acontecimento merece destaquepelo “entretenimento que proporciona” (Medina,1988: 21).
Se o fator “entretenimento” é medidocomo um valor essencial para a construçãoda notícia e para manter o interesse do público-leitor pela mercadoria “informação”,quais os motivos que levam certos autoresa desqualificarem a informação jornalísticaque tem, como marca, a capacidade de entretero público? Se o jornalismo que hojeconhecemos, com suas origens no séculoXIX, apresenta como característica o paradigmado jornal de informação – superandoo antigo paradigma do jornal de opinião–, qual o problema político em produzir umnoticiário que desperte o interesse do leitore ainda possa entretê-lo?
Para Sousa, por exemplo, os jornais devem atuar nasociedade com o objetivo de informar aoscidadãos, levando em conta que eles sãoatores sociais responsáveis e possuem consciênciacrítica para intervir politicamente.
Informar jornalisticamente será, assim, emsíntese, permitir que os cidadãos possam agirresponsavelmente. Na minha opinião, entreter “jornalisticamente”, pelo contrário, tende a degradar, em maior ou menor grau, essa funçãoinformativa e, conseqüentemente, reguladora e mediadora, que os meios de comunicação possuem na sociedade (Sousa, 2000: 63).
(...)
Na íntegra, clica aqui

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